Estudo dos odores

23/10/2019

No âmbito da sua atividade, a COMSINES solicitou ao Instituto do Ambiente e Desenvolvimento (IDAD) a realização de um estudo denominado “Diagnóstico, caracterização e mapeamento dos odores no Complexo de Sines”. Baseado em dados recolhidos entre abril de 2017 e abril de 2018 este estudo teve como objetivo principal avaliar a incomodidade de odores no concelho, e mais concretamente, identificar fontes e quantificar emissões de odores, recomendar medidas para minimizar essas mesmas emissões e favorecer a comunicação com a população sobre este tema.


A metodologia utilizada consistiu no diálogo com atores sociais, na análise de queixas apresentadas à Câmara Municipal de Sines entre 2012 e 2017 e no estudo de padrões de circulação atmosférica. Além disso, foi feita a caracterização dos níveis de odores emitidos em 5 unidades industriais, o mapeamento no terreno dos penachos de odor ao longo de 12 ciclos de medição (distribuídos pelas 4 estações do ano), a aplicação de modelos de dispersão atmosférica e, por fim, foi desenvolvida uma estratégia de gestão de odores.


No que diz respeito à caracterização dos níveis de odores emitidos em unidades industriais foram analisadas a Estação de Tratamento de Águas Residuais da Ribeira de Moinhos (gerida pela Águas de Santo André), o Complexo Petroquímico da Repsol, a Refinaria da Petrogal, a Administração do Porto de Sines e a Ecoslops. Nas 7 fontes de emissão existentes nestas unidades industriais realizaram-se amostragens de modo a definir a concentração de odores.


A realização deste estudo permitiu concluir que as áreas do concelho mais afetadas pelos odores são a zona poente da cidade, a zona nascente (Afeiteira de Cima, Barranca e ZIL II) e a zona da Barbuda. Concluiu-se ainda que a perceção dos odores depende da predominância dos ventos e agrava-se no Outono e no Inverno, em determinadas zonas, há um efeito cumulativo e de sobreposição de odores oriundos de diferentes fontes e, por vezes, os odores atingem os concelhos vizinhos de Santiago do Cacém e Odemira. Este estudo permitiu também determinar de que forma os odores afetam a qualidade do ar em Sines e confirmar a ocorrência de uma frequência de odores superior à regulada em normas de outros países, numa área muito extensa do território. As conclusões deste estudo foram apresentadas em outubro de 2019 no Auditório do Centro de Artes de Sines, numa sessão pública que contou com a presença do Engenheiro Eduardo Bandeira, à data presidente da Direção do COMSINES, e Miguel Coutinho, Engenheiro do Ambiente e Secretário-Geral do IDAD.


Até ao momento não existem evidências de uma relação entre a perceção de odores e a possibilidade de isso ter efeitos na saúde humana, no entanto, este é um tema a que todos os atores locais devem estar atentos. Este estudo defende que deve existir uma intervenção particular indústria a indústria, nesta área, e as empresas devem criar os seus próprios planos de gestão de odores.

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